Fração do Pão
“Do mesmo modo ao fim da ceia, ele tomou o pão, deu graças, partiu e o deu aos seus discípulos”. O gesto de partir o pão é um dos ritos mais expressivos e significativos da celebração litúrgica. Gesto este, feito pelo próprio Cristo que nos mandou fazer do mesmo modo.
A última ceia com Cristo toma uma nova orientação, nos ritos judaicos, experimentam a presença do mistério de Cristo. O referencial não é mais a páscoa do Egito, mas é o próprio Jesus Cristo, o único pão, que é repartido e dado como alimento a todos. “O cálice da bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos nós participamos desse único pão” (1Cor 11,16-17).
Na cena narrada em Lc 24,13-35, os discípulos de Emaus, reconhecem o Senhor ao partir o pão. Como na tradição judaica da “beraká” (benção), o rito ficou tão impregnado na vida da comunidade que nascia, a ponto de ser o primeiro nome dado a celebração eucarística: “Fração do pão”.
A fração do pão, é tão significativo que ganhou um refrão próprio durante a sua execução: o “Cordeiro de Deus”, que para acompanhar a fração do pão, pode-se repetir quantas vezes for necessário, terminando-se sempre com as palavras “dai-nos a paz” (IGMR 56). Porém, infelizmente em algumas ocasiões, este rito ficou ofuscado pelo canto do abraço da paz. Certamente recomendamos ao escolher entre cantar o abraço da paz e o cordeiro, que se cante a invocação Cordeiro de Deus, ou ainda, se os dois momentos forem cantados, que se faça distinção entre as melodias, nunca emendando um canto ao outro.
Que o presidente da celebração, ao partir o pão, não o faça no momento das palavras consacratórias, pois a Liturgia entende que Cristo partiu o pão em vista da distribuição, na comunhão, e não para consagrar o pão. Além disso, o padre não faz teatralização, mas proclamação memorial. Portanto que o gesto de partir a hostia seja feito com calma e visto por todos antes da distribuição da comunhão.
Que bom seria, se verdadeiramente o pão a ser consagrado, tivesse forma e gosto de pão e que o presidente da Eucaristia não tivesse um pão separado numa patena, mas que em um único prato, estivesse pão suficiente e dai, fosse distribuido a todos os fieis, mostrando com sinais sensiveis o único pão que é repartido a todos.
Sendo assim, o gesto de partir o pão, realizado por Cristo na última ceia, e que deu o nome a toda ação eucarística na época apostólica, não possui apenas uma razão prática, mas significa que nós, sendo muitos, pela comunhão do Único Pão da Vida, que é Cristo, formamos um único corpo, a Igreja. (IGMR 56).
*(IGMR) – Instrução Geral do Missal Romano

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